quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Os Verdadeiros Burros e os Falsos Loucos

baby, eyes, sweet, ohh, cute, blue eyes, love, crazy
O mais esperto dos homens é aquele que, pelo menos no meu parecer, espontaneamente, uma vez por mês, no mínimo, se chama a si mesmo asno..., coisa que hoje em dia constitui uma raridade inaudita. Outrora dizia-se do burro, pelo menos uma vez por ano, que ele o era, de fato; mas hoje... Nada disso. E a tal ponto tudo hoje está mudado que, valha-me Deus! Não há maneira certa de distinguirmos o homem de talento do imbecil. Coisa que, naturalmente, obedece a um propósito.
Acabo de me lembrar, a propósito, de uma anedota espanhola. Coisa de dois séculos e meio passados dizia-se em Espanha, quando os Franceses construíram o primeiro manicômio: ‘Fecharam num lugar à parte todos os seus doidos para nos fazerem acreditar que têm juízo’. Os Espanhóis têm razão: quando fechamos os outros num manicômio, pretendemos demonstrar que estamos em nosso perfeito juízo. ‘X endoideceu...;
portanto nós temos o nosso juízo no seu lugar’. Não; há tempos já que a conclusão não é lícita.

― Fiodor Dostoievski,
in Diário de um Escritor

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