sexta-feira, 28 de março de 2014

Tudo Junto - 1

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Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as estrelinhas. Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar. Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar. Passava o resto do dia representando com obediência o papel de ser.. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo. Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação. E faz de conta. Faz de conta que ela não estava chorando por dentro - pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver. É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros. Rifa-se um coração para ser alugado, ou mesmo
utilizado por quem gosta de emoções fortes. Um órgão abestado indicado apenas para quem quer viver intensamente; contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções. Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras, sou irritável e firo facilmente, também ás vezes sou muito calma e perdoo logo. Não esqueço nunca nada, mas há poucas coisas de que eu me lembre. E tenho várias caras, mais todas são verdadeiras, e jamais deixarei cair minha máscara, se eu usa-la alguma vez, uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou uma o quê? Uma quase tudo, vestida de nada. Sou um monte intransponível no meu próprio caminho, mas às vezes por uma palavra tua ou por uma palavra lida, de repente tudo se esclarece. Senti que podia, fui feita para libertar, libertar era uma palavra imensa, cheia de mistérios e dores. Só o que está morto não muda, e quem sabe não mudam também, reencarnação pode existir, e as vezes nem sabemos. Repito por pura alegria de viver: A salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena! O que obviamente não presta sempre me interessou muito, gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno voo e cai sem graça no chão. Eu sou à esquerda de quem entra, e estremece em mim o mundo. Sou caleidoscópica: fascina-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro, sou um coração batendo no mundo.. Que minha solidão me sirva de companhia, que eu tenha a coragem de me enfrentar. Que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. Não sei separar os fatos de mim, e daí a dificuldade de qualquer precisão, quando penso no passado. Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais fortes, dos cafés mais amargos, e os delírios mais loucos. Você pode ate me empurrar de um penhasco que eu vou dizer, e daí, eu adoro voar! Ninguém dentro de si mesma poderia ter os pensamentos mais desligados da realidade, se quisesse. Se eu me visse na terra lá das estrelas ficaria só de mim. Depois de tudo o que eu disse, dá pra entender quem sou eu? Criar, é a melhor coisa, ainda mais quando paramos e vimos quanta platéia focada no projeto, é assim a vida, a vida é dos guerreiros, e não dos perdedores e vencedores. Eu acredito em mim, e isso basta. Copiar é fácil, aperte “ctrl+c” e fale a todos, “eu criei esse texto” , todos imaginaram que bela artista você é, mais e se te colocarem contra a parede, e disserem, crie mais um, vamos ver seu talento, e ai o que você faz? Copia novamente? E passa a vida copiando?
─ Desconhecido

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