segunda-feira, 21 de abril de 2014

valentinametadealer:

“Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não  dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como  um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se  pode prever, mas ela dispensa. Acredito que essa moça, no fundo gosta  dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se  consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se  recupera. Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem  relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma  pessoa substituta. E quem não é? A gente sempre acha que é especial na  vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo  pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas? A moça…ela  muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é  isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes,  até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você  espera por alguém que venha te curar. Às vezes esse alguém aparece,  outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera? E assim, aos poucos,  ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu,  lhe dará. A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca –  levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por  saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu  coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar  muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os  outros, vieram ao mundo.”
Caio Fernando Abreu
Te desejo uma fé enorme. Em qualquer coisa, não importa o quê. Desejo esperanças novinhas em folha, todos os dias.Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz. As coisas vão dar certo. Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa. Te quero ver feliz, te quero ver sem melancolia nenhuma. Certo, muitas ilusões dançaram. Mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas…
— Caio Fernando Abreu

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